Aproveitamos o feriado de 07 de setembro para conhecer mais um cantinho do Planalto Central: a Serra da Baliza (1494m snm). Foi uma caminhada fácil de umas três horas a partir de Alto Paraíso.
Este blog foi criado para compartilhar os relatos das expedições às montanhas do Planalto Central.
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
quinta-feira, 10 de junho de 2004
P1091 - Quando chegamos ao cume!
Após três tentativas frustradas de conquista do P1091, nossa expedição formada por Andrea, Fabio, Jamal, Carla e Sonia, conseguiu atingir o cume da montanha.Saímos na quinta-feira (10/06/04) de Brasília aproximadamente 9h30min da manhã. Como tínhamos um feriado pela frente, não nos apressamos muito. Seguimos até Teresina de Goiás e de lá mais aproximadamente 14 km até a entrada da fazenda onde começa a estrada para o Vão do Almas. A estrada até a fazenda Caldas (onde deixamos os carros) foi reparada e o Gol da Carla passou tranqüilamente. Assim, deixamos os carros (um Vitara e o Gol) no início da subida da Serra da Boa Vista e, já eram mais ou menos 16h30min quando começamos a caminhada. Encontramos alguns calungas e eles nos disseram que o P1091 é chamado Morro do Moleque. Para nós, continuou sendo P1091, já que existe o Morro do Moleque do Vão do Moleque também na região dos Calunga.
Decidimos dormir no ranchão dos calungas na primeira noite. Foi tudo de bom! Céu super estrelado refletindo nas águas calmas do rio Almas, bate papo e descanso para o próximo dia.
Acordamos 6h00min na sexta-feira. Seguindo os waypoints da Ritinha, atravessamos o rio Almas no final da estrada (a água não passava do meio de nossas pernas).Caminhamos inicialmente por um terreno praticamente plano coberto por gramíneas e alguns arbustos (campo sujo) e depois por uma seqüência de morrinhos até atingir um curso d’água afluente do rio Almas. Nesse trecho, desviamos do tracklog da Ritinha e decidimos acampar próximo ao rio onde tinha um pocinho legal para tomar banho.
Eram 12h30min quando começamos nossa aproximação para a base do P1091. Em linha reta, estávamos a 1,3km de lá. Nesse trecho, há diversas trilhas de circulação dos calungas mas nenhuma seguia diretamente para a montanha. Depois de 40 minutos, estávamos na base. Parecia tão perto e ao mesmo tempo tão longe... A visão da montanha de perto revelava nossa via, a Diretíssima do P1091. A estratégia seria seguir pela crista da frente e atacar a parte mais alta da montanha diretamente. Apesar da vontade de tentar a investida ao cume no mesmo dia, depois de algumas divergências, achamos melhor descansar e fazer uma escalada alpina. Ou seja, acordar de madrugada e ter tempo suficiente para a subida. Passamos o resto do dia tomando banho de rio, arrumando nossas mochilas e planejando o ataque ao cume.
Como combinado, acordamos às 4h00min da madruga e às 5h07min iniciamos a caminhada de aproximação. 5h54min estávamos na base e agora era só “arriba”, “arriba”! A subida começa com uma inclinação de uns 30º que logo aumenta para aproximadamente 45º e depois para uns 55º no trecho final até a parte rochosa. A medida que subíamos, o cume nos revelava surpresas. Avistamos uma fenda larga que separava o cume principal de um cume secundário. Não há trilhas. Todo o caminho é formado por pedras de variados tamanhos encaixadas superficialmente na terra mas que rolavam com facilidade quando pisamos nelas. Além disso, há muitas canelas de ema e, a cada vez que escorregávamos, ganhávamos alguns espinhos que incomodavam um pouco. Para alcançar a fenda (parte rochosa), subimos por uma crista na lateral esquerda que aparentemente era mais suave mas também era pirambeira total.
A fenda final era larga e arborizada. Escalaminhamos uma via de 2º grau de pedras soltas, bastante mato e médio grau de exposição. Enfim atingimos a rocha. Humm.... escalada! Oba! Encontramos uma via de 3º grau com passagens de 5º grau. O Fabio seguiu guiando numa via relativamente bem protegida. As proteções foram feitas com friends e fitas em uma árvore. Utilizamos a corda dupla de 50m que permitiu escalar duas pessoas na mesma corda agilizando a subida. Para animar os caminhantes que não escalam, só eu e o Fábio somos escaladores do grupo todo. Jamal, Carla e Sonia subiram de bota, carregando mochilas e foi mole, mole!
A escalada em rocha ainda não nos levara ao cume. Subimos por um trecho de mato mais uns 20 metros até realmente alcançar “la cumbre”. Ele é composto por pedras de tamanhos variados e arbustos de cerrado. Não há áreas planas para acampar. Passamos uma hora no cume. A vista é maravilhosa! Não conseguimos ver o Dedo do Moleque mas acho que avistamos a cachoeira da Capivara. Fizemos um totem e deixamos o livro de cume devidamente embalado para o registro de próximas expedições. Paz, harmonia e felicidade! Tudo de bom! Testamos o celular e, funciona! Tem sinal! Ligamos para a Ritinha e para o David.
Antes de comemorar o sucesso da expedição faltava um mero detalhe: a descida até a base. A conquista de uma montanha só vale mesmo se a equipe voltar sã e salva. Descemos por um trecho diferente da subida mas na mesma direção onde encontramos uma árvore resistente para ancorar nosso rapel. Fizemos três rapeis até a fenda. Na descida, decidimos rapelar na parte mais exposta onde subimos escalaminhando solo. Essa estória de que pra baixo todo santo ajuda, humm....., não é bem assim não. Foi dureza a trilha para baixo mas, entre escorregões e espinhos de canela de ema, salvaram-se todos. Chegamos ao acampamento base às 18h15min.
Reunindo as últimas forças que nos restavam, desarmamos o acampamento, arrumados as mochilas e decidimos iniciar o retorno. A volta no escuro foi muito complicada. Duas pessoas estavam com as lanternas quebradas e uma acabou se machucando ao tropeçar em uma pedra. Apesar do cansaço de todos, conseguimos chegar ao lugar de travessia do rio Almas onde dormimos na praia de areia.

Nascer do sol no P1091
Jamal inspirado...
Rumo ao cume
Aproximação do trecho rochoso
Cume do P1091Relato elaborado por: Andrea Zimmermann
Fotos: Jamal ...
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sexta-feira, 20 de junho de 2003
Conquista do Dedo do Moleque
Relato – Expedição da Conquista do Dedo do Moleque
Por: Andrea Zimmermann
18/06/2003 – quarta-feira
Finalmente chegara o dia de nossa expedição. Após várias reuniões para definirmos nossa estratégia para aproximação da base e conquista do Dedo do Moleque, decidimos ir de carro, na Mitsubish Pajero do Nuno, pois conseguiríamos acomodar os sete participantes. Como bons brasileiros, saímos atrasados duas horas. O planejado era de partirmos às 18h do posto Colorado mas, o importante é que vencemos o primeiro medo: “ o de não partir”. Todos nós estávamos eufóricos com a expedição que começou como um sonho com duração de um ano e agora estávamos próximos a realizá-lo. Dos participantes (Nuno, Allan, Davi, Camila, Marcelo, Fabio e eu), somente eu e o Fábio já tínhamos visto o Dedo do Moleque. Para os outros, a imagem ainda era a silhueta de uma foto tirada do rio Paranã ou do pôr do sol da Pedra Branca.
Com o atraso na partida e o fato de não ter diesel em Teresina de Goiás para abastecer o carro, seguimos para Cavalcante e dormimos num camping porque o posto só abriria na manhã seguinte.
A noite estava maravilhosa e dormimos com o brilho e a energia vibrante das estrelas.
19/06/2003 – quinta-feira
Acordamos 6h15 mais ou menos, nos arrumados, abastecemos o carro no posto de Cavalcante que abria às 7h e partimos para enfrentar os 124km de estrada de terra que nos levava ao Vão do Moleque.
Ao contrário do que pensávamos, a estrada estava boa mas realmente o carro 4x4 foi necessário para atravessar os rios Curriola e Prata. O caminho já nos entusiasmou por sua beleza e formações de quartzito que apareciam ora ou outra nas bordas da chapada além dos vales fantásticos do lugar. O acesso à Capela no Vão do Moleque se dá pela pista principal da estrada. Entretanto, foi muito útil utilizar o GPS e os dados das rotas do Centro Excursionista do Planalto Central para evitar de pegar o caminho errado em alguma bifurcação.
Chegamos à Capela às 11h30 da manhã onde havíamos combinado de encontrar o Francilino, um calunga amigo do Nuno que estaria nos esperando com os cavalos. O meio de transporte da nossa carga até o acampamento base. Procuramos Francilino por toda parte mas ele fora embora porque ele tinha a expectativa de nos encontrar na noite anterior e assim achou que tínhamos desistido da aventura. Bom, perdemos Francilino e em compensação achamos o Martinho. Gente boa demais! Martinho é dono da fazenda onde se inicia a trilha para a base do Dedo do Moleque. Enquanto arrumávamos todo material da conquista na deliciosa sombra de um cajueiro, Martinho conseguiu sete cavalos para levar os equipos, 50 litros de água e que também acabaram carregando o Nuno e o Marcelo para cima.
Nossas impressões iniciais de que teríamos que varar mato, que seria uma ralação chegar lá em cima foram deixadas de lado e fizemos uma trilha bem marcada que tangenciava o Morro do Moleque com subidas gradativas que nos levou à face sudoeste da rocha.
Depois de duas horas de caminhada, de muitas fotos e alegria por estarmos nos aproximando de nosso destino, chegamos ao nosso acampamento base localizado a aproximadamente 400m da base do Dedo do Moleque. O solo era bem rochoso mas conseguimos um local plano com terra para montar as barracas mas que não tinha água por perto. Já eram 17h e o sol se aproximava do horizonte com sua luz dourada tornando mais mágica a rocha à nossa frente. Aproveitando a luz fantástica, eu, Fábio e Marcelo subimos a encosta para ver o pôr do sol e nos demos conta que realmente estávamos ali muito próximos da conquista. Mais uma vez a noite estava maravilhosa. Preparamos nossa comida e e dormimos cedo para a escalada do dia seguinte.
20/06/2003 - sexta-feira
Às 7h já estávamos de pé arrumando nossos equipamentos para a escalada. Nuno e Alan formaram uma dupla, escolheram uma bela fenda na rocha por onde passariam e se adiantaram saindo na frente do grupo.
Nós decidimos sair os cinco juntos e investirmos na face oeste.
Os primeiros 20 metros, aproximadamente, são de escalaminhada e trepa pedra mas em alguns momentos consideramos conveniente nos encordarmos devido às pedras soltas. Na subida inicial, tivemos as boas vindas de uma cobra coral que recepcionou o David na fenda de um bloco.
Ao atingirmos o primeiro platô, nos dividimos em uma dupla formada por David e Marcelo e um trio comigo, a Camila e o Fabio. A dupla seguiu por uma fenda no sentido noroeste da rocha com David guiando e nós partimos para o lado sudoeste seguindo por algo indefinido entre chaminé e fenda. Nossa via variou entre escaldas com lances de 5º grau com passagens de 3º grau. Ora ou outra avistávamos Nuno e Allan na face sul.
A primeira dupla a chegar ao cume foi Davi e Marcelo. Depois de quatro horas e 150m de escalada, eles gritavam pelo talkabout: “Abresca no cume, galera”!
Seguido a eles, chegaram Nuno e Allan e finalmente Fabio, eu e Camila alcançamos nosso objetivo. Todos estavam muito emocionados e felizes! Três viam em móvel foram abertas sem a utilização de pítons. A vista de cima é fantástica. 360º de paisagens conservadas, vales incríveis e o imponente e saudoso rio Paranã.
Seguido a eles, chegaram Nuno e Allan e finalmente Fabio, eu e Camila alcançamos nosso objetivo. Todos estavam muito emocionados e felizes! Três viam em móvel foram abertas sem a utilização de pítons. A vista de cima é fantástica. 360º de paisagens conservadas, vales incríveis e o imponente e saudoso rio Paranã.
Como não levamos um livro de cume, montamos um toten e deixamos em baixo dele um papel num saquinho “zip” com o registro da conquista (o livro de cume foi levado por nós na expedição de 2006). Os nomes das vias abertas são:
4 Abrescanos Tulidenses - David e Marcelo
4 Trinity - Fabio, Andrea e Camila (era a terceira vez que a Camila escalava em rocha, que guerreira, hein!)
4 Via do Dedo – Nuno e Allan (o nome se deu não pelo Dedo do Moleque mas porque Nuno esmagou o dedo numa rocha ao colocar um friend. Então, em homenagem...)
Na descida, Nuno e Allan fizeram rapel pela Via do Dedo e nós cinco rapelamos na corda dupla de 50m pela via Trinity. Demoramos aproximadamente duas horas descendo. Ficamos mais algum tempo na base contemplando o pôr do sol que encerrou com seu calor e sua luz dourada esse dia inesquecível.
À noite, gravamos depoimentos sobre a escalada e nos entretemos contando as histórias do dia. Eu e o Fabio conseguimos contato via satélite por rádio com alguns rádioamadores de Curitiba, Campinas e Rio de Janeiro que acompanhavam de longe nossa expedição. Falamos também com o pessoal do Clube do Jipe que estavam circulando pelo Vão.
21/06/2003 – sábado
Acordamos e decidimos partir. Afinal, a missão já estava cumprida. Arrumamos nossas mochilas e combinamos de deixar os equipamentos mais pesados para que Martinho os carregasse no cavalo. Nós tínhamos combinado dele nos trazer água e assim o encontraríamos na trilha de volta. Assim aconteceu. Seguimos e Martinho pegou nossos equipamentos deixados no local do acampamento. Chegamos no carro aproximadamente 11 horas. Ficamos largados um tempo e depois saímos para tomar um banho de rio enquanto dona Santina (a esposa do Martinho) preparava um delicioso almoço para a turma. Depois de comermos, seguimos viagem planejando pernoitar às margens do rio Prata. Chegando lá, decidimos continuar viagem até Cavalcante. Depois de várias idéias e sugestões dos diferentes membros do grupo, seguimos para o Macaco. Não podia ter sido melhor! No caminho, paramos em Alto Paraíso para comer pizza feita no forno a lenha (huummm...). Tudo de bom! Chegamos mais ou menos 23 horas no Macaco, nos acomodamos numa oca e dormimos muito bem.
22/06/2003 – domingo
Aproveitamos o último dia da expedição nas cachoeiras do Macaco. O lugar é maravilhoso, há cinco cachoeiras lindas e várias paredões de quartzito escaláveis. Fizemos duas vias mas infelizmente não sei o nome uma delas. Uma está grampeada e é um 6º grau e a outra é um 5º que escalamos em top rope. Esse dia foi só relax e curtição. Cada momento desta viagem foi especial. As pessoas, os lugares e eu não podia terminar esse relato sem falar da música. Ouvimos sons africanos e world music – mantras que nos acompanharam até a chegada em Brasília.
Voltamos já pensando na próxima investida no Dedo do Moleque chegando pelo rio Paranã de “duck” (botes infláveis), montando cavalos e conquistar a face leste do Dedo ainda desconhecida. Sonhos, sonhos, sonhos....
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